Esse fato aconteceu quando eu era uma adolescente.
Mudarei os nomes das pessoas envolvidas.
Década de 60, ditadura,jovens estudantes começavam a se envolver, lutar e pagar com a própria a vida em uma luta incansável pela democracia.
As drogas já existiam mas pouco se sabia, eram associadas mais a artistas e hippies.
Em um bairro de classe média de Belo Horizonte,uma rua pacata onde vizinhos eram quase parentes.
Pouco ou nada de informações sobre depressão ou outros transtornos.
Só conhecíamos os 'loucos', era assim que eram tratados, que andavam pelas ruas falando sozinho, ou com atitudes tidas como anormais.
Coincidentemente dois suicídios de vizinhos, em anos diferentes porém próximos.
Carlos morava a direita de minha casa, era um jovem meio estranho, não tinha amizades, o que sabíamos é que tocava piano pois ouvíamos de nossa casa.
A família foi muito discreta e nada se comentou.
Passado algum tempo outro vizinho em frente também deu um fim trágico em sua vida.
Era um jovem bonito, alegre, comunicativo que interagia naturalmente sem demonstrar nenhum problema.
Não soubemos como nem porque contraiu dívidas acima de seu padrão financeiro.
Roberto, desesperado com os credores se humilhou pedindo ajuda a família que apesar de não ter grandes posses, unidos poderiam ajuda-lo com um empréstimo.
Mas, pais, irmãos, tios, avós todos foram unânimes em negar.
Nunca se falou em dívidas com drogas, não era comum, eram dívidas normais.
Infelizmente, Roberto não aguentando a pressão e provavelmente em estado depressivo resolveu sair de cena.
Aí sim apareceu dinheiro. Dinheiro para a melhor urna funerária, muitas e muitas coroas de flores, pode-se dizer que foi um enterro de primeira classe.
Uma pergunta ficou no ar: Se não havia dinheiro para o empréstimo como apareceu depois da morte?
Estou usando esse fato real para comparar com o que acontece diariamente.
Será preciso um amigo ou parente chegar a esse extremo para que as pessoas se aproximem.
Não estou aqui falando em dívidas,mas em tristeza, depressão e tantos outros tantornos.
Precisamos constantemente uns dos outros, diga não ao preconceito, e nem sempre financeiramente , mas em atenção, carinho,amor ao próximo,amizade verdadeira.
Se sabemos que alguém de nossa família ou amigos precisa de ajuda, apoio,um ombro, colo, não seja preconceituoso, aproxime-se.
Não espere seu filho, irmão ou amigo partir para se arrepender, será tarde demais.
Não basta falar do amor de Deus,é preciso ação.
GRAÇAMEREU
Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.
Estou na fase depressiva, confesso que não fui muito de pesquisar sobre esse assunto apesar de já ter esse diagnóstico a muitos anos.
Faço tratamento com psiquiatra, tomo vários remédios e só agora aceitei a terapia.
Acho que estou começando a entender melhor, aceitar ainda não, mas tenho lido algumas coisas a respeito e achei em seu blog, muito bom. Você conseguiu expor muito claramente.
Sabe, me perdoa mas vou usar seu blog para desabafar.
Sou jovem, tenho 27 anos, tenho uma profissão pois fiz faculdade e trabalho na área que escolhi, me considero uma boa profissional, tenho meu trabalho reconhecido dentro da empresa.
Mas confesso que as vezes só Deus e eu sabemos a dificuldade de cumprir minhas tarefas em determinados dias.
Engulo o choro, respiro fundo para não soltar um palavrão e chutar o balde, preciso trabalhar, preciso do dinheiro para meu tratamento, mas não tem sido fácil.
Não posso me abrir com ninguém, no meu local de trabalho meus colegas e chefes nem sonham, temo pela descriminação.
Quase não tenho mais amigos, os poucos que resolvi me abrir achando que iriam me entender, que me estenderiam as mãos: Que nada! Foram educados, me ouviram, fizeram um monte de perguntas, disseram que eu poderia contar com eles em qualquer tempo, mas sabe o que aconteceu?
Sumiram, discretamente foram se afastando aos poucos, me sentí um lixo, cheguei ao fundo do poço literalmente.
Meus relacionamentos não dão certo, tudo começa muito bem,mil promessas, não minto assim que adquiro confiança e o namoro vai ficando firme prefiro me abrir para dar oportunidade da pessoa decidir se querem ficar a meu lado e enfrentar comigo, mas todas as promessas de amor, companheirismo, ajuda vão por água abaixo, e quando a família fica sabendo aí sim minha vida vira um inferno, já ouvi de uma ex sogra: meu filho não pode casar com uma louca.
É muito triste, pois isso não é loucura, nada tem a ver
Tentei me matar 3 vezes, a primeira com excesso de medicamentos, a segunda com veneno e a terceira cortei meus pulsos,mas me acharam e fui levada ao pronto socorro.
E ainda sou obrigada a ouvir que eu não queria morrer nada, que só queria chamar atenção, aparecer. Hoje sei que realmente não queria a minha morte física,mas sim a morte desse transtorno maldito, que não deixa marcas como um câncer ou outra doença visível aos olhos humanos, enquanto o ser humano não aprender a olhar com os olhos da alma será assim.
Dói, dói demais, me sinto perdida, abandonada, excluída, desprezada.
Quero aproveitar esse espaço e implorar que as pessoas tenham mais amor e menos preconceito, hoje sou eu, amanhã poderá ser você, um filho ou outro ente querido. Ninguém é depressivo, ninguém é bipolar por querer, simplesmente acontece.
Não penso mais em me matar, os remédios tem me ajudado muito, trabalho,faço natação foi o esporte que escolhi.
Não posso me identificar para me preservar,mas te autorizo a divulgar, quem sabe ajuda abrir a mente de tantos preconceituosos, de gente que acha que é frescura, religiosos que nos julgam como falta de fé, espíritas que dizem ser encosto, evangélicos dizendo ser obra do inimigo.
Pelo amor de Deus, não sou fresca, não sou ingrata, tenho a minha fé em Deus, trabalho, só peço que se não me aceitam que me deixem em paz.
Minha família tem sido bacana comigo, no começo sofreram muito, não entendiam, foram muitas brigas com meus gastos excessivos, cartões de créditos estourados, alternâncias de humor, ouví muita bronca de meus pais, irmãos, tios e eu revidava, nossa vida virou um inferno. Agora as coisas mudaram, estou mais contida, optei em não ter cartões e nem cheques, na euforia saio do trabalho e vou para a natação, tudo para evitar gastar o que tenho e ainda fazer dívidas homéricas.
Que os meios de comunicação levem mais informações ao público, que as pessoas se tornem mais humanas e não nos tratam como o lixo do lixo.
Só temos um transtorno que se tratado nos permite levar uma vida normal, talvez com altos e baixos mas nada que prejudique ninguém.
Não somos um ET, não somos loucos e nem deficientes mentais, nossa inteligência que é igual a de qualquer um.
Graça, se quiser pode divulgar esse meu desabafo.
Gostei muito do seu blog e se me permitir voltarei outras vezes.
Desabafo de uma bipolar.
Muito obrigada, espero que aceite e divulgue, confesso que meu texto não está tão bem escrito quanto o seu, mas
como desabafo estou escrevendo o que vem na mente.
Fica com Deus!